108SP GRUPO ESCOTEIRO JABUTI | Escoteiros do Brasil | São Paulo

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6. A Estória Amigos da Floresta

Todo nosso material está a disposição de quem queira trabalhar com Colônias.
Esse material foi disponibilizado pela chefe Carmen Ligia Nobre Lemos (Chefe Malak). Caso queira entre em contato com a chefe Carmen pelo email carmenligianl@gmail.com

A Estória da Floresta em PDF

Sobre o Ramo Castor

CAPÍTULO I – O ENCONTRO

O GRANDE CASTOR tem uma importante comunicação a fazer. Ele nadou até o meio do lago e bateu a cauda três vezes: tap, tap, tap. Todos os castores ouviram o sinal e correram ao dique construído por eles onde a reunião será realizada.

“O que você acha que pode ter acontecido?” – Perguntou o pequeno castor com os dentes afiados.

“É algo sobre as pessoas da nova casa de campo” – disse um dos castores gêmeos.

“Também acho que sim”, disse o outro, “porque o GRANDE CASTOR nadou até a enseada esta manhã”.

Os castores chegaram rapidamente ao lugar da reunião. O GRANDE CASTOR estava sentado sobre uma tora, com olhar solene. Ele era KEEO, o castor mais sábio.

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KEEO sabia muito sobre a floresta e o lago; todos os animais e pássaros eram seus amigos. Ele bateu as duas patas da frente, com um clap bem estalado, para que fosse feito silêncio. Os castores formaram um círculo em torno dele e ficaram atentos.

“Castores grandes e pequenos”, disse ele. “Tenho algo importante para lhes dizer. Lá embaixo na enseada, quatro humanos estão construindo uma casa de campo. São dois grandes e dois pequenos e acho que vocês ficarão contentes em saber que eles parecem amistosos. O menino me viu e me mostrou aos outros. Todos acenaram e quando bati a cauda, sorriram.”

De volta da enseada, encontrei Tic-Tac, o esquilo. Ele disse que são uma família, a família Jones e, já que serão nossos amigos – castores grandes e pequenos – convoquei esta reunião, hoje, para dar-lhes nomes. Todos os amigos da floresta devem ter nomes, como vocês sabem”.

“E como faremos?” – perguntou o castor com os dentes mais compridos.

“Queremos vê-los antes de dar-lhes nomes.”

O GRANDE CASTOR então disse: “iremos todos lá embaixo, na enseada, esta tarde para dar uma olhada na família Jones”.

Havia muita agitação entre os castores, enquanto se preparavam para nadar até o local em que os Jones construíam sua nova casa de campo. No início, ninguém viu quando os castores chegaram que, muito quietos, espiavam de dentro do dique.

Foi papai Jones quem finalmente disse: “Vejam crianças, veja mamãe, acho que temos companhia.

Não se virem muito rápido ou vocês assustarão os castores.” Todos se viraram. Eles estavam contentes com a presença dos castores.

“Não lhes disse que teríamos muitos amigos na floresta?” – falou mamãe.

“Acho que há uma Colônia de Castores no lago acima” – disse papai. Os castores olhavam curiosamente, observando os humanos para ver se encontravam um nome que os descrevessem adequadamente.

A menina aproximou-se do dique e tirou devagar os sapatos. Os castores, prudentemente, afastaram-se, enquanto ela brincava na água.

O menino, a mãe e o pai andaram, calmamente, em direção ao dique vendo os castores nadarem de volta.

“Acho”, disse o menino, “que estão tentando ver se somos amigos”.

O pai disse: “levará algum tempo, mas sei que saberão que somos”.

Uma forte batida de cauda do GRANDE CASTOR avisou aos outros para retornar. Nadaram lago acima para se reunirem e escolherem nomes para os humanos.

Com grande prudência, o GRANDE CASTOR disse: “castores, o pai nos viu primeiro, antes de termos contornado a curva do lago.

Acho que podemos chamá-lo FALCÃO”. “Oh, é um excelente nome”, disseram os castores.

Os gêmeos começaram a tagarelar. “Vocês viram as roupas de cores vivas que a mãe vestia? Eram cores tão lindas! Devemos chamá-la ARCO-ÍRIS”.

“Ótimo gêmeos”, disseram os outros castores. “Este é o nome pela qual a chamaremos: ARCO-ÍRIS”.

“Eu estava bem perto da menina quando ela aproximou-se da água e fez muitas bolinhas com os pés”, disse o castor com a cauda maior. “Que tal chamá-la BOLINHA?”.

“Nós gostamos muito”, disseram os castores. “Este é um bom nome para ela”.

O GRANDE CASTOR disse: “E o menino, vocês viram a cor de seus cabelos? Nós o chamaremos FERRUGEM”.

“Então, estes são os nomes que nós lhes daremos”, disseram juntos os castores, batendo suas caudas com prazer.

“Esta será a maneira como os chamaremos e seremos seus amigos”.


CAPÍTULO II – A TEMPESTADE

Foi a trovoada rugindo e rolando no céu que acordou Ferrugem. Um raio de luz iluminou o quarto e ele viu que eram 4 horas da manhã. Estava chovendo quando a família Jones foi para a cama.

Pelas janelas podiam ver a chuva caindo, batendo no vidro. Sabiam que haveria enchente pela manhã e temiam o que poderia acontecer com o dique dos castores com toda esta água extra fluindo para o lago. Quando Ferrugem voltou para tentar dormir, pensou em dar uma corrida, pela manhã, para ver o que os castores estavam fazendo.

Não havia sol. Quando a família Jones sentou-se à mesa do café, Falcão expressou o pensamento de todos: “parece que tivemos uma noite ruim. A enseada encheu muito e estou preocupado com o dique dos castores. Porque não damos uma caminhada para ver o que os nossos amigos estão fazendo?”

Lavando a louça rapidamente, Arco-Íris, Bolinha e Ferrugem colocaram suas botas de borracha e capas de chuva. Logo estavam a caminho da trilha. Os pingos dos galhos das árvores escorriam pelos seus pescoços, deixando-os muito molhados.

Quando chegaram ao dique viram imediatamente que a tempestade fora bem forte.

A água jorrava por ele, “Veja, papai”, disse Ferrugem, “O dique rompeu. O que podemos fazer para ajudar?” “Não creio que teremos alguma coisa para fazer, Ferrugem”, disse Falcão.

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“Vamos nos sentar naquela pedra lá em baixo e observar. A água estava muito alta no lago. Acho que quando voltar ao nível normal, veremos nossos amigos aparecerem e começarem a reconstruir o dique”.

Meia hora mais tarde, quando a água havia baixado alguns centímetros, Bolinha viu o primeiro castor. Como um pequeno engenheiro, o castor parecia explorar o estrago, testando aqui e ali. Depois, vieram juntar-se muitos outros, todos os membros da mesma família.

Começaram a trabalhar juntos. Logo o fluxo de fora do dique começou a diminuir com a colocação de galhos que pareciam fazer parte de um quebra-cabeça, deixando o dique perfeito novamente.

Não havia pausa para os castores. Trabalho era uma necessidade, mas também um divertimento para eles.

“Eu sei porque eles são chamados de Castores Espertos”, disse Ferrugem. “Sim”, riu Falcão, “esta é a maneira certa de descrevê-los”.

“Olhem aquele Filhote lá em cima”, disse Arco-Íris. “O que é filhote ?” perguntou Bolinha. “Querida, é como é chamado o castor pequeno, mas acho que logo será chamado Castor Atento”. “Ele está se preparando para aprender a ser realmente útil”.

Por fim, o dique estava restaurado. Cansados, porém satisfeitos, os castores deram um suspiro e mergulharam no lago em direção à porta de entrada da toca dos castores. Pelo túnel eles nadaram até alcançar o interior, seguros e aquecidos. Eles sabiam que lá estariam a salvo de invasores e intrusos e, com o dique reparado, tudo retornaria ao normal.

Enquanto observava, Ferrugem teve uma idéia. “Sabe Bolinha”, disse, “porque não construímos uma toca de castores?. Poderia ser nosso esconderijo. Poderíamos construí-la atrás da casa, perto da árvore”.

Bolinha disse que era uma idéia excelente. E enquanto voltavam para casa, as duas crianças planejavam sua própria toca. Claro que seria de galhos de árvores, mas decidiram que seria resistente, firme e segura, como a dos castores.


CAPÍTULO III – KEEO

Keeo, o Grande Castor sentia-se inquieto. Ele era, de longe, o maior castor do lago. Enquanto nadava para lá e para cá, as ondas de seus movimentos lambiam os lados da represa, Splish, splash. Ele simplesmente não sabia porque se sentia deste jeito. Mas achava que tinha a ver com o céu tempestuoso. Ele certamente não queria mais enchentes. Haviam terminado de consertar o açude. Não queria ter de repará-lo novamente.

Neste instante, começou a trovejar e um terrível clarão cortou o céu. “Nós teremos”, pensou Keeo, “outra tempestade, com certeza!”.

O vento havia parado e o silêncio era total. A calmaria que vem antes de uma tempestade é grande. As folhas haviam parado de farfalhar e a chuva ainda não começara a cair. Havia silêncio no resto da floresta, como se todos os animais tivessem sumido; todos, exceto Keeo. Ele estava sentado sobre a maior tora do lago. Nenhum dos outros castores sabia o que ele estava fazendo lá. “Ele deveria entrar”, diziam os castores.

“Nós não gostamos de ver nenhum dos animais fora quando relampeja, talvez caiam árvores.”

Mais tarde, cada castor teria uma história diferente para contar. Viam de maneira diferente o que havia acontecido, mas todos concordavam que foi o segundo raio que o fez. Era um raio que parecia partir a tora em que Keeo estava sentado. Quando ele se foi, uma estranha incandescência envolvia o enorme castor.

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Primeiro os outros castores pensaram que o clarão os havia cegado a todos, porque quando olharam para Keeo, sentado na tora, ele parecia estar envolvido num brilho, como se fosse prata.

Estavam preocupados porque pensavam que ele havia se queimado gravemente. Mas quanto mais olhavam, mais se certificavam do que realmente havia acontecido. Keeo estava todo prateado e isto não era a coisa mais estranha nele. Estava também pensando diferente. Pensava em coisas nas quais nunca havia pensado antes. Sentia-se estranho. Sabia e pensava não só como castor, mas também como ser humano. Podia pensar como as pessoas lá da casa de campo. Sentindo-se muito importante, chamou os outros castores para transmitir-lhes as novidades. Falou-lhes, na linguagem dos castores, que sabia pensar como humano. Falou algumas palavras na linguagem humana para mostrar-lhes que podia realmente fazê-lo, “que grande responsabilidade você tem agora, Keeo”, disseram os castores.

“Será por seu intermédio que poderemos falar em benefício dos animais da floresta e especialmente de nós, castores. Você poderá aprender muito dos outros”. Todos concordaram. “Nós, animais, poderemos conhecer nossos amigos humanos e eles poderão conhecer todas as coisas importantes da natureza. Você Keeo falará por todos nós!” (Keeo estava curioso para saber se poderia fazê-lo). Um trabalho muito importante, mas estava certo de que deveria haver uma razão tanto para falar daquela maneira, como para o raio de luz que o envolvia, tornando-o um castor prateado. “Deve haver um bom motivo”, pensava.

Ele estava curioso para saber também como os humanos na casa de campo, seus amigos Jones, reagiriam à sua conversa com eles. “Será um choque”, pensou, “talvez devesse falar aos jovens primeiro”. Assim pensando, deslizou da tora e dirigiu-se para a casa de campo, a fim de falar com Ferrugem e Bolinha.


CAPÍTULO IV – KEEO, O CASTOR FALANTE

Keeo, não estava apenas assustado, ele estava apavorado. “Como um castor pode encontrar um menino e uma menina e começar a falar com eles?” Enquanto pensava, caminhava em direção da casa de campo. “Preciso pensar sobre o que vou falar. Suponho que a primeira coisa a fazer é contar-lhes quem sou e esperar para ver o que eles dirão.” Determinado, alcançou a curva, atrás da qual se encontrava a casa de campo. Agora o que lhes dizer, ainda o preocupava. Sobre os nomes que haviam sido dados pelos castores, o menino e a menina nunca os ouvira antes.

Você pode imaginar o rosto do menino quando ele tirou os olhos de sua vara de pescar, ao ouvir uma voz dizendo: – “Alô Ferrugem, meu nome é Keeo, eu sou o Castor Falante”. Foi realmente o olhar de surpresa de Ferrugem que fez Keeo pensar rápido. “Oh, perdoe-me”, disse ele. “Ferrugem é como nós o chamamos; isto é, eu e meus amigos, os outros castores. Nós o chamamos Ferrugem e a sua irmã de Bolinha e eu sou Keeo”.

Agora foi a vez de Ferrugem ficar em dúvida. Antes de tudo, o que dizer a um castor prateado que chega pela enseada e começa a falar com você. “Bem”, disse ele, “estou surpreso de vê-lo. Quero dizer, de ouvi-lo. Não, de vê-lo e ouvi-lo. Estou surpreso. Mas estou muito feliz em encontrá-lo”. Dito isto, Ferrugem entendeu a sua mão e sacudiu a pata da frente de Keeo. “Preciso chamar minha irmã”, disse Ferrugem e, com um grito alegre, chamou Bolinha que estava na cozinha, ajudando sua mãe a fazer uns biscoitos para o lanche. Ela correu para Ferrugem com dois biscoitos na mão. “Por que você está tão agitado?”, perguntou. “Você ficará admirada quando eu apresentar o nosso novo amigo. Keeo, conheça minha irmã. Antes que eu me esqueça, irmãzinha, eles a chamam de Bolinha”. “Quem me chama de Bolinha?”, ela perguntou. “Keeo, o Castor Prateado e todos nossos amigos castores, do lago”. Keeo começou a falar: “Estou muito contente em conhecê-la Bolinha”. “Eu também estou muito feliz”, disse Bolinha. E sem saber o que fazer, ela ofereceu um dos biscoitos assados há pouco.

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Era o primeiro biscoito que havia visto em toda sua vida. Keeo pensou: será que sempre que encontrava um humano, ele oferecia um biscoito? Como viu Ferrugem comer o seu com grande satisfação achou melhor fazer o mesmo. O gosto era realmente muito bom. Talvez não tão bom como a raiz de salgueiro que havia saboreado pela manhã, mas certamente algo novo e muito agradável. Bolinha e Ferrugem estavam sentados sobre a grama e olhando para Keeo. “Keeo”, disse Ferrugem, “que tal nos contar toda a história?.”

E Keeo contou como ele recebeu a voz e se tornou um Castor Iluminado, contou sobre os nomes que os animais da floresta haviam dado a família Jones e muitas outras coisas. Foi fácil ver que se tornariam ótimos amigos. Achando que o tempo corria, Keeo disse que era melhor voltar e contar aos outros castores.

“É uma boa idéia”, disse Bolinha, “porque nós também gostaríamos de contar a Arco-Íris e Falcão toda a história”. Despediram-se, tendo se tornado grandes amigos e combinado encontrarem-se no dia seguinte às 4 horas. O encontro seria no dique, porque Keeo queria apresentar os outros castores a Ferrugem e Bolinha.


CAPÍTULO V – COMPARTILHANDO

Tic-Tac, o esquilo, simplesmente não podia acreditar em seus olhos. Ele estava sentado sobre um galho da grande árvore oca, na borda do lago e lá embaixo os castores trabalhavam ajudando uns aos outros a juntar os melhores brotos de galhos para seus suprimentos de inverno. Muito felizes, eles dividiam o trabalho, roendo árvores, nadando com elas até sua toca, onde eram armazenadas. “Eu não posso entender isto”, ele tagarelava enquanto corria para lá e para cá ao longo do galho da árvore.

“Não posso entender porque eles dividem todo esse trabalho juntos. Por que simplesmente não colhem a comida para si mesmos e deixam de se preocupar com os outros?” Sentiu que deveria falar sobre isto com alguém e pensou se Malak, a grande coruja, estava acordada no topo da árvore. Correndo para frente e para trás, pulando de galho em galho, algumas vezes subindo pelo tronco, chegou ao topo e lá, com seus olhos meio abertos, estava sentada Malak, a coruja.

“Olá, Malak”, disse Tic-Tac, acordando-o, “porque eles fazem? Por que eles fazem aquilo?” ele gritou. “Por que quem está fazendo o quê?” perguntou Malak um pouco rabugento, não acostumado a estar acordado durante o dia. “Bem, eles estão compartilhando o trabalho e estão todos juntando gravetos.

Eu não entendo porque estão fazendo aquilo”. “Do que você está falando Tic-Tac?” perguntou Malak, agora complemente acordado e bastante interessado no que estava agitando tanto o esquilo. “Bem, quando eu colho a minha comida para o inverno, saio e colho todas as minhas nozes. Eu as guardo todas na floresta em pequenas pilhas, das quais só eu sei, e assim fazem todos os outros esquilos. Nós guardamos nossos próprios suprimentos de alimentos para nós mesmos.

Mas estes castores, eles não fazem assim. Eles trabalham juntos, compartilhando o trabalho e, imagino que eles irão compartilhar, também, toda a comida mais tarde.”

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“Realmente, eles irão”, disse Malak. “Estes castores, são muito espertos. Olhe-os mais de perto; você verá alguns deles trabalhando perto do dique; outros ensinam os mais jovens a nadar corretamente; e olhe lá, veja o GRANDE CASTOR ensinando aos filhotes como roer uma árvore de maneira que ela caia onde ele quer; e então, todos os outros reúnem as árvores cortadas em sua toca de castores. Eles compartilham a responsabilidade de ensinar uns aos outros; claro, eles compartilham seu trabalho e então durante o inverno eles tem toda esta comida para dividir. É uma maneira alegre de viver, um ajudando o outro”.

“Eu não gosto deles”, disse Tic-Tac. “Eu simplesmente não gosto deles”. “Bem”, disse Malak, “claro que você não gosta, mas isto é porque você é um esquilo e todos sabemos que esquilos são animais muito individualistas, mas esta é a sua maneira de ser; portanto não se preocupe. Se vocês esquilos fossem realmente espertos, fariam tudo juntos, e compartilhariam seus suprimentos de nozes. Estou certo de que esquecem aonde colocam metade delas”.

“Bem”, disse Tic-Tac pensando seriamente, “na realidade eu esqueço. Eu simplesmente não lembro onde ficam todas”. “Veja”, disse Malak, “se vocês compartilhassem o trabalho teriam um grande suprimento de nozes que seria suficiente para todos os esquilos por todo o inverno”. Tic-Tac disse: “Esta é uma grande idéia. Falarei sobre ela com os outros esquilos”.

Dizendo isto, saiu correndo, tagarelando, procurando pelos outros esquilos. Malak, que conhecia os esquilos muito bem, não acreditava que teria sucesso. E antes que cochilasse novamente, deu uma última olhada para o lago. Ele sorriu quando viu os castores. “Sim, são muito espertos esses camaradas, muito espertos; sabem como fazer o trabalho, brincar e compartilhar juntos. Eles terão um bom inverno. Terão bastante comida. Ho, hum”, pensava: ”se eu não fosse uma coruja, acho que queria ser um castor.”


CAPÍTULO VI – FERRUGEM VISITA A TOCA DOS CASTORES

Havia tanta agitação no lago dos castores que Keeo precisou convocar uma reunião para acalmá-los. “Castores grandes e pequenos”, disse ele, “são somente 7 horas da manhã e Ferrugem e Bolinha não chegarão antes das 2 da tarde. Assim, vamos ficar quietos e assegurar de que tudo esteja pronto.” ”Está tudo pronto?”, disse um dos gêmeos. “Acho que sim”, disse Keeo. “Mas vamos conferir.

Agora deixe-me ver. Numero 1, a canoa de Ferrugem está pronta na praia?”. “Sim”, responderam em coro os castores. “Número 2, a toca dos castores está toda limpa e pronta para os nossos visitantes?” ”Sim”, responderam em coro os castores. “Temos maçãs, para oferecer para a visita?.” “Sim”, responderam em coro os castores.

“Nós fizemos a entrada submersa maior para eles poderem encontrá-la?”, responderam em coro os castores. “Bem, então acho que estamos prontos. Não vai demorar muito até os dois virem pela trilha”.

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Não era somente os castores que estavam ansiosos. Ferrugem acordou muito cedo, tão cedo que começou a fazer o café. Quando Bolinha, Falcão e Arco-Íris entraram na cozinha, o cheiro do café fresco e presunto frito estava no ar. “Por quê você está tão agitado, Ferrugem?”, perguntou Falcão. “Este é o dia que irei à toca dos castores. Assim, após o café, pegarei minha roupa de mergulho e as nadadeiras. Serei o primeiro humano a visitar uma toca de castores, e com eles dentro dela”.

“Agora Ferrugem, quero que você seja cuidadoso”, disse Arco-Íris. “Que profundidade tem este lago?” ”Oh, serei cuidadoso. Keeo disse que tem cerca de quatro (4) metros, assim não terei problemas ao mergulhar. E Keeo disse que faria a entrada maior, assim poderia entrar mais facilmente e, uma vez dentro, haveria ar suficiente para respirar.

Assim, não é tão perigoso.” “Eu desejaria nadar tão bem quanto Ferrugem”, disse Bolinha, “mas poderei ficar sentada na canoa e os gêmeos ficarão brincando comigo. Portanto, não será tão ruim”. O café terminou rapidamente esta manhã e, com o sol nascendo num céu lindo, azul claro. Os dois andaram trilha acima, em direção ao lago.

A agitação era grande quando chegaram e, com a ajuda dos amigos, Ferrugem e Bolinha empurraram a canoa e remaram em direção a toca dos castores. Ferrugem, já estava com sua roupa de mergulho, assim tudo o que tinha a fazer era colocar as nadadeiras. “Agora” disse Keeo, nadando em volta da jangada, “ficaremos um pouco atrás e daremos a Ferrugem espaço para mergulhar”.

“Não mergulharei da canoa com a máscara”, Disse Ferrugem, “somente entrarei na água e tomarei fôlego, então seguirei você, Keeo. Mas não vá muito fundo, pois não posso segurar minha respiração tanto quanto você”. Dizendo isto, Ferrugem deslizou no lago e respirou fundo.

Pela sua máscara, podia ver Keeo acima dele com seu pelo prateado, brilhando na água. Era um lago claro, que permitia perceber, para onde que Keeo estava indo. Em alguns segundos Keeo nadou para dentro da grande abertura. Ferrugem viu que poderia entrar na abertura com folga, e nadou também rapidamente para dentro. Algumas braçadas a mais e já estava na borda do lado da abertura. Arrastou-se para dentro.

Continuou nadando suavemente para cima até entrar na toca. Um grande “hurra” veio dos castores que estavam dentro para lhe dar as boas vindas. Keeo, a pedido dos castores, disse como estavam contentes com a visita de Ferrugem e este respondeu dizendo do prazer em aceitar tão gentil convite.

Em seguida, cada castor se ocupou de uma atividade. Um trouxe uma maçã para Ferrugem. “Muito obrigado”, disse Ferrugem, “que boa idéia”. “Nós queríamos lhe oferecer algum alimento, mas para trazê-lo por baixo da água achamos que uma maçã seria uma boa idéia. Não faz mal se fica molhada”. “É verdade”, disse Ferrugem, “nunca havia pensado nisto”. Ao olhar em volta ficou surpreso com o tamanho da toca dos castores. Poderia ficar de pé e até se deitar nela.

Era muito limpa e, olhando para as paredes, notou que eram firmes. Havia um cheiro de umidade na toca e pela primeira vez pode também sentir o cheiro dos castores – um cheiro quente e molhado. “Obrigado novamente pelo convite e por esta maçã, é muito gostosa. Vocês podem ouvir o barulho da floresta daqui?”, perguntou Ferrugem.

“Não”, disse Keeo, “nós raramente ouvimos alguma coisa. Porém, sabemos quando você e Bolinha estão nadando e quando Falcão e Arco-Íris vêm na canoa. Só ouvimos sons na água. Não ouvimos os sons da floresta.” “Então deve ser muito tranqüilo”, disse Ferrugem.

Ele ficou na toca apenas uns 10 minutos porque Bolinha, aguardando na canoa, ficaria preocupada se demorasse muito. Agradecendo mais uma vez, respirou fundo e, seguindo Keeo em direção a entrada, arrastou-se novamente e subiu. Subiu tão depressa que quase bateu a cabeça na canoa, chegando a dois palmos dela. Ele tinha muita coisa para contar a Bolinha. E foi descrevendo enquanto os castores nadavam em volta, puxando a canoa em direção a margem.

“A toca é simples, limpa e bem maior do que eu poderia supor”, disse Ferrugem. “É maior do que a que fizemos para nós”. Ferrugem e Bolinha deixaram a canoa e, com um último aceno para Keeo, seguiram em direção a casa de campo. E continuou.

“Toquei os lados da casa e os senti muito firmes e você ficaria surpresa se visse como os castores ficam rapidamente secos em sua casa. Keeo sacudiu a água e percebi que estava completamente seco. Sabe”, disse Ferrugem orgulhoso, “devo ter sido o primeiro ser humano a visitar uma toca de castores como esta”. “Da próxima vez”, disse Bolinha, “irei também, assim você me ensina a nadar melhor”. “Está certo”, disse Ferrugem, “se fizer biscoitos de gengibre hoje à tarde”. Rindo juntos, foram correndo para casa.


CAPÍTULO VII – OS CASTORES FELIZES

É necessário fazer sol quente na primavera para os castores sentirem-se sonolentos. Eles voltariam mais cedo para casa esta noite. Deitados, pensando nos acontecimentos do dia, esperavam que Keeo lhes contasse uma história. Um dos castores gêmeos olhou para cima e perguntou a Keeo: “todas as Colônias de Castores são tão felizes como a nossa?”

“Bem jovem Castor”, disse Keeo, “não sei se todas são, mas sei que poderão ser, se quiserem. Veja, nesta colônia aprendemos o que é compartilhar. Nós crescemos e construímos.

Nós exploramos. Nós brincamos e ajudamos uns aos outros a descobrir como se tornar um Castor Esperto. Nós também aprendemos como é importante trabalhar em equipe, do mais novo ao mais velho e como é importante que cada um de nós contribua com a melhor habilidade que temos. Vocês lembram da noite da tempestade, de como o dique estava perto de ruir, e o menor castor de todos colocou a tora e fechou o lago, salvando-o da inundação? Nós aprendemos uns com os outros. Veja também, a família Jones.

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Eles também sabem o que é compartilhar e este é o motivo de serem uma família feliz. Algumas vezes é Falcão , ou Arco-Íris, ou Ferrugem, ou Bolinha que tem a idéia, mas juntos vão em frente e descobrem um novo mundo, uma nova sensação, um novo gesto. O que os faz felizes, é que decidem juntos o que gostam de fazer e seguem juntos cheios de amor em seu coração.

Acho que é por isso que somos felizes e porque temos uma Colônia de Castores felizes”.

“Vocês sabem como estivemos ocupados estes últimos meses. Não há limite para as coisas que fazemos juntos. O único limite para as atividades que fazemos é nossa mente, e como compartilhamos numa atmosfera positiva e amorosa, temos felicidade de sobra dentro de nossa Colônia.

Não aprendemos de Falcão quando eles vieram remar em nosso lago com suas canoas? Eles fizeram sugestões de atividades, nos ensinaram sobre a natureza, Deus e o mundo em volta de nós. Não temos muito a agradecer a Bolinha e Ferrugem, por eles nos ensinarem como brincar juntos e tomar conta um do outro, no tipo de jogos que jogamos? Não aprendemos tanto deles quando os observamos e participamos de suas atividades, ajudando um ao outro, cada um tendo prazer na satisfação e alegria do outro? Todas as coisas, castores, nos tornam uma Colônia feliz”.

“Se mantivermos nossa promessa de amar a Deus, a Pátria, a nossa família e ajudar a construir um mundo melhor; se vivenciarmos nossa lei com alegria, trabalhar e ajudar nossa família e amigos, então poderemos esperar por mais alegria e felicidade.”


CAPÍTULO VIII – NOVAS FRONTEIRAS

Os castores gêmeos sabiam que iriam ficar alegres e tristes ao mesmo tempo. Na realidade era um pouco de cada coisa nesse momento. Eles sabiam que iriam deixar a Colônia esta tarde. Foi um tempo maravilhoso estar com seus amigos; por isso estavam um pouco tristes por ter de dizer adeus, mas ao mesmo tempo estavam felizes porque iriam sair para um mundo maior e mais extenso; conhecer novas coisas e encontrar novos amigos.

Keeo lhes disse que iriam ter uma grande surpresa. Dessas que só acontecem aos castores que se prepararam bem e conseguiram tornar-se Castores Espertos.

Quando perguntaram o que seria, ele disse: ”Vocês saberão ao seu tempo”. Keeo sabia que havia magia no ar nesta tarde, e que estes dois jovens castores iriam fazer parte de um grupo diferente de amigos da floresta. Keeo lembrava bem do dia em que começou a pensar e falar como um ser humano e sabia que a mesma mágica estava no ar.

A Colônia se reuniu para ver os gêmeos nadarem para longe e despedirem-se dos amigos, que iriam mundo afora. Foi uma longa travessia através do lago. Os castores gêmeos descobriram que não iam com freqüência ao outro lado, e eles queriam ir rápido porque viram que o céu estava ficando mais e mais escuro.

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Justo quando começaram a sair da água em direção da Jangal é que aconteceu a magia, e aconteceu da mesma maneira que para Keeo: um raio de luz. Estavam se transformando. A primeira coisa que viram foi sumir sua cauda de castor. Suas patas também mudaram. Eles ficaram diferentes. Realmente, eles mudaram de castor para filhotes de lobos.

Primeiro ficaram parados olhando um para o outro, não sabendo o que dizer. Porém, não ficaram sozinhos por muito tempo; imediatamente de dentro da floresta, veio uma matilha de lobos uivando votos de boas vindas. O lobo mais sábio parou e lhes disse: “eu sou Akelá, líder da matilha de lobos. E vocês jovens Castores Espertos, aprenderam da natureza e por, intermédio de Keeo e dos Jones, ouviram do homem e de Deus. Agora os convidamos a se juntarem a nós, no mesmo espírito de amizade, determinados a ajudar seus companheiros de matilha, como eles os ajudarão.”

“O mundo é maior para vocês agora, e como uma matilha nós percorreremos a floresta. Vocês aprenderam habilidades, das quais em algumas nós compartilharemos, outras vocês aprenderão a fazer sozinhos como um filhote de lobo.” Os castores não estavam assustados.

Eles sabiam que estavam entre amigos. Era uma sensação excitante, que dava vontade de correr, conhecer esta grande floresta, tão cheia de amigos e ver este mundo a ser explorado! A matilha aproximou-se deles e, com grande uivo final de alegria, entraram para o maravilhoso mundo dos LOBINHOS!!!.


PREFÁCIO

A primeira edição da História “Amigos da Floresta” foi traduzida por João Antônio Munhoz Stasolla e Moacir Antônio Orosco, do Grupo “Paineiras” / SP, em 1987, baseado no Friends of the Forest, publicada pela National Council Boy Scouts of Canada – Ottawa, Ontario, 1972 . Em 1989, o Grupo Escoteiro “Jabuti” / SP deu continuidade ao projeto do Ramo Castor, tendo sido feita algumas adaptações do texto original de Munhoz e Moacir, por Maria José Miranda Campos. Nessa ocasião, a história foi anexada ao Manual do Grande Castor, publicado pelo Grupo Escoteiro “Jabuti”, em 1989.

No ano de 1997, em comemoração a 10 anos de experiência com os Castores, o Grupo Escoteiro “Jabuti” elaborou um projeto de divulgação do Castorismo, revisando todo o material teórico produzido, elaborando cursos para outros grupos, divulgando, assim o Ramo Castor, em busca de novas parcerias de trabalho.

Esta nova edição dos “Amigos da Floresta” é parte integrante da comemoração do 10o aniversário das Colônias. Foi totalmente revisada e editada por Maria de Lourdes Iosimuta Loureiro, do Grupo Escoteiro “Jabuti” / SP.

O livro “Amigos da Floresta” conta à história de uma família de humanos – os Jones – que se mudou para uma cabana na floresta, justamente na beira de um lago aonde reside uma Colônia de Castores. No início da história, tanto a família Jones, como os Castores, ficam felizes com a novidade de terem novos “vizinhos” e procuram meios de estabelecer laços de amizade.

Com o tempo e a observação, encontram formas de se comunicarem e começam a trocar experiências. Como os Jones vivem num mundo diverso do da Colônia, todos passam a explorar o modo de vida e as características uns dos outros, buscando compreender: os hábitos, os costumes, as preferências, enfim, tudo o que possa conduzir a um bom conhecimento de cada um dos membros daquela comunidade.

Assim também é no Ramo Castor. Quando a criança entra na Colônia, elas vêem de vivências diferentes, tendo, cada uma delas, um enorme conjunto de particularidades que compõe sua individualidade. Para elas, ser Castor é uma nova experiência que dá ênfase ao conhecerem a si próprias, além de motivá-las a descobrir como são as demais crianças.

O livro serve de fundo de cena para Ramo Castor, auxiliando a Chefia, através de uma linguagem lúdica e proporciona um meio de estabelecer comunicação a criança. Além disso, cria uma forma de incentivar o Castor a desenvolver todo o seu potencial, partilhar uma diversidade de experiências com seus familiares e compartilhar novas amizades, tal como ocorre nos “Amigos da Floresta”.

Grupo Escoteiro “Jabuti”
Fevereiro de 1998
GRUTESCA

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