108SP GRUPO ESCOTEIRO JABUTI | Escoteiros do Brasil | São Paulo

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2. As Mudanças

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A História do Grupo Escoteiro Jabuti

Muitas coisas se passaram desde então. Foram coisas boas e coisas ruins como em qualquer comunidade. Vamos primeiro relembrar as coisas ruins, pois estas foram superadas com grande fé, força e coragem.

Após 10 meses de estadia na cavalaria, em julho de 1989, fomos surpreendidos por um telefonema da Nilza, então Chefe de Grupo, que nos convocou para fazermos uma mudança. Era a primeira “ação de despejo” que sofreríamos ao longo desses 10 anos de existência (num total de 5, quer dizer, uma a cada 2 anos). A Polícia Montada não poderia mais nos acolher, pois precisava desse espaço para os cavalos. Fomos então acomodados no 16o Batalhão da Polícia Militar, sito à Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 4082 – Rio Pequeno – SP. De lá para cá, várias outras mudanças se procederam.

Como diz a Lei de Murphi: “se um evento tem possibilidade de ocorrer uma vez, é certo que ele ocorrerá de novo”. Potanto, é fácil de imaginar que precisamos sair da sede central do 16o Batalhão muitas outras vezes, sendo que, já aos 2 anos e meio, ficamos sem teto por 4 meses (entre junho a outubro de 1991), período que realizamos nossas atividades no prédio da Geografia da USP, na Cidade Universitária.

Após negociações, a direção do 16o Batalhão, acomodou-nos, provisoriamente, num barracão abandonado nas dependências da Escola de Soldado, anexa ao 16o Batalhão. Nesse espaço, ficamos por cerca de 2 anos e meio.

A Polícia Militar tinha outros destinos aos espaços cedidos à nós, e por isso, por mais duas vezes tivemos que colocar nossas “mochilas” nas costas e nos transferir para outras salas ou barracões, sempre dentro das dependências do 16o Batalhão (entenda-se que o jabuti é um animal que carrega a casa nas próprias costas) ou da Escola de Soldados.

Não bastasse a necessidade de manobras militares forçando o remanejamento da sede, ainda sofremos diversas outras adversidades. Numa mega cidade como esta, aonde as margens dos rios são endireitadas, os lagos represados e as águas das chuvas canalizadas, em março de 1992, fomos surpreendidos pela revolta da mãe natureza, cujas “águas de março fechando o verão” como “promessa de vida no teu coração” (como diria o poeta), invadiram nossa sede e levaram tudo – TUDO – o que tínhamos. Lá se foram: a papelada, os registros, as barracas, as panelas, enfim TUDO flutuando enchente a baixo. Foi um verdadeiro desastre.

Naquele tempo, quando Midory e eu chegamos à sede, a única coisa que tínhamos disposição e vontade de fazer era chorar. Houve uma verdadeira rede de telefonemas se intercomunicando. Todos os chefes que atenderam ao chamado de SOS, ao chegarem ao local, ficavam desconsolados, desacorçoados. Tudo o que se pensava e a frase que mais se ouvia era: “Agora, acabou! Vamos avisar as crianças que o Grupo fechou!”

Foi um desses momentos de grande comoção que percebemos o real significado de grupo, de fraternidade, de fé, força e coragem.

Arregaçamos as mangas, e passamos diversos fins-de-semana lavando, limpando, removendo lama e lodo, resgatando o pouco que sobrara de nossas memórias. Após cerca de 1 mês, retornamos a todo vapor às atividades. O grupo havia sido salvo de seu primeiro naufrágio.

Apesar das obras no córrego, em 1994, de novo entre fevereiro, março e a abril, quando já ocupávamos o depósito ao lado do anfiteatro, sofremos mais 3 enchentes seguidas, não tão graves quanto a primeira (só cerca de 1m e meio de altura) porém, quase tão trabalhosa quanto. Mais uma vez perdemos nossos registros, papelada, livros, material de acampamento, etc.

Em 1996, fomos, novamente, deslocados nas dependências da Escola de Soldados, deixando o depósito e ocupando duas salas ao lado do antigo galpão. Desta vez, sem enchentes.

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